domingo, 4 de janeiro de 2015

Conto #2 - Os Roedores de Natal (S) (R)

Boa tarde meus amigos, tudo bom?
Depois de uma maravilhosa viagem pelas cidades do Nordeste, hora de retomar os contos.

Espero realmente que gostem e aprovem esse segundo conto, continuo aceitando todos os tipos de feedback e sugestões de melhoria.

Muito Obrigado:
Vivian Khatounian e Wendely, seus sonhos/historias contribuíram MUITO para a realização do conto :)



Quarta-feira, 14 de janeiro de 2015.
O Início
Querido diário.
Hoje finalmente vou começar uma nova vida, ainda não consigo acreditar que é verdade, estou morta de ansiedade e o tempo simplesmente não quer passar.
Não consegui dormir essa noite, verificava cada uma das minhas embalagens uma dezena de vezes e ainda tinha a impressão que estava esquecendo algo, fazia anos que eu não me sentia com essa ansiedade, parece que voltei a ser uma colegial de 15 anos prestes a sair no primeiro encontro, mais de 10 anos sem encontrar com ele, mas parece que foi ontem que estudamos juntos. Felipe sem dúvida se tornou o que todos acreditávamos que ele seria, um empresário rico e bem sucedido. Consigo me lembrar como se fosse ontem, o garoto inteligente e calado no fundo da sala de aula, o melhor aluno da classe e o mais inteligente, sempre tive certeza que ele teria um futuro brilhante.
O avião vai decolar, hora de fechar a mesa e guardar você di....

Já não havia mais tempo para continuar a escrita, a aeromoça estava vindo verificando se as poltronas estavam retas, as mesas fechadas e os cintos presos_ A comissária de bordo estava começando o tradicional procedimento de segurança pré voo_ Larissa tentava não demonstrar a ansiedade que sentia enquanto o avião não decolava, já havia olhado para todos os lados, lido o cartão de embarque três vezes, puxado conversa com o rapaz da poltrona ao lado e por ultimo escrito no seu diário, mas tudo isso não havia adiantado em nada_ a comissária ainda estava explicando como utilizar a máscara de gás. Tentou se acalmar, pois sabia que faltava mais de 3 horas para chegar em Natal e por mais que ela fizesse um esforço mental, não adiantaria em nada, o avião não chegaria mais rápido. Tentava relaxar, mas sem sucesso, estava com o coração muito acelerado. começou a tentar se concentrar e lembrar de quando era pequena e de coisas em comum que tinha com Felipe, nesse momento todo e qualquer assunto iria ajudar, ela já tinha escutado diversas notícias sobre empresários excêntricos, que rapidamente se cansavam de suas novas distrações e depois de um tempo apenas jogavam fora, para começar com um novo hobby, tinha medo de ser apenas mais um desses "hobbys", então precisava ser tudo perfeito, porém, por mais que tivesse esse pequeno medo, no fundo,sabia que com ela seria diferente, Felipe sempre havia sido muito apaixonado, e mesmo agora que já estava beirando os 30 anos, ela ainda se considerava muito atraente e continuava chamando a atenção dos homens quando andava na rua.
Larissa pegou um pequeno espelho de bolso, e viu seu rosto, nenhuma ruga evidente, olhos claros cor de mel, um lindo cabelo castanho, lábios perfeitos e bem desenhados, apenas um nariz pequeno, porém meio torto _ainda sentia um pequeno incomodo, quando se lembrava de como seu antigo amor havia quebrado ele com um soco, evitava lembrar e pensar nele, pois hoje sentia um extremo nojo do seu antigo parceiro. Com 18 anos, havia largado tudo, inclusive o Felipe, para viver o sonho de morar em Brasília com aquele que ela acreditava ser o amor da sua vida, quatro anos depois, voltou para morar com sua mãe, sem ter cursado uma faculdade, com diversos hematomas pelo corpo, um nariz quebrado, e inúmeros casos de infidelidade, ela se sentia um lixo_ Mas hoje era diferente, hoje estava linda e atraente, conseguia enxergar o brilho nos seus olhos_ Depois de passar anos fugindo de homens e apenas tentando recuperar a sua auto estima, recebeu a notícia de que Felipe ainda estava solteiro, era bem sucedido e ainda nutria sentimentos por ela, rapidamente entrou em contato e logo recebeu o convite para largar tudo em São Paulo e ir morar em Natal, tentou se fazer de difícil, mas era impossível, estava sonhando com esse convite já fazia algum tempo.
A viagem parecia interminável, porém depois de exatas 3 horas, finalmente o avião pousou em São Gonçalo do Amarante, cidade vizinha de Natal, o novo aeroporto da cidade era sem dúvida alguma lindo, porém Larissa, sentia dificuldade em observar o aeroporto, uma vez que não conseguia pensar em outra coisa se não em Felipe_ é estranho como nossa mente é linda e ao mesmo tempo perversa, podemos não sentir nada por uma determinada pessoa, mas se começarmos a pensar nela e nos esforçar para ama-la, rapidamente começamos a mudar esse sentimento e chegamos até a acreditar que amamos ela, “O nosso amor a gente inventa...” Cazuza._ Nesse momento, Larissa já estava loucamente apaixonada por Felipe, sua educação, sua honestidade, seu carinho por ela, tudo estava perfeito.
Assim que pegou suas malas, encontrou com ele na saída do desembarque, Felipe já estava de pé, do lado de fora, não segurava uma plaquinha e sim um cartaz de 1 metro por 1 metro escrito: “Welcome Larissa”,apesar de não saber falar inglês, compreendia perfeitamente que welcome era bem vindo em inglês_Largou as malas no chão e correu para um abraço forte, que terminou com um longo e apaixonado beijo_ Ela torcia para que ele estivesse bonito, mas não esperava tanto, o rosto gordinho com espinhas, havia sido deixado de lado, para um rosto duro e forte, com uma barba rente. Os olhos negros que pareciam azeitonas preguiçosas, hoje eram dois olhos de águia, que mediam cada centímetro de seu corpo, com um olhar dominador, sentiu-se praticamente nua.Tinha o mesmo 1.85 de altura de outros tempos, porém parecia mais alto, não tinha mais uma barriga flácida e braços fracos, era um homem forte, com um corpo malhado, mesmo por baixo da roupa era possível ver um braço forte e um peitoral definido, sem dúvida o sonho não poderia ser melhor.
Felipe estava vestindo uma camisa preta Ellos com dois botões abertos, uma calça jeans Diesel e sapatos de couro extremamento bem engraxados, um relógio prata no pulso e algumas pulseiras de couro, sem dúvida havia deixado de ser o pequeno nerd para se tornar um homem sedutor.
O caminho para o apartamento foi uma felicidade total, eles foram na L200 Triton através da via costeira, até o bairro de Ponta Negra, Larissa ainda não conhecia o nordeste, e ficou totalmente maravilhada com a beleza do local, antes de visitar, imaginava algo parecido com o livro Vidas Secas, ou com filmes tristes sobre a história de Lampião, encontrar uma cidade desenvolvida e com as melhores praias da sua vida era uma surpresa total.
O apartamento era um luxo sem limites, ficava na cobertura de um condomínio de prédios e tinha uma belíssima vista para a praia de Ponta negra e o Morro do Careca.

O meio
A vida não poderia ser melhor, apesar de ter um quarto para ela no apartamento, nunca chegou a utilizar, sempre dormia na cama King Size de Felipe, dormiam juntos 5 dias por semana, 2 dias Felipe sempre estava fora viajando a negócios, Larissa não precisava trabalhar, nem se preocupava em limpar ou cozinhar a unica preocupação que ela precisava ter, era dar prazer para Felipe durante a noite e não esquecer de passar bronzeador antes de conhecer a próxima praia. Tudo estava perfeito na vida, e seguiu dessa forma durante 6 meses, mas tudo um dia muda...
Uma noite na qual Felipe deveria estar viajando, ele voltou para casa mais cedo com um rosto sério e um leve cheiro de cerveja, a primeira reação de Larissa, foi imaginar que havia ocorrido algum acidente, porém logo mudou o pensamento, uma vez que sentiu o cheiro de álcool em seu amante. Felipe estava sério e não parecia em nada com o seu marido carinhoso, parecia estar enfrentando um conflito interno do qual seus olhos ao mesmo tempo que estavam distantes, penetravam os olhos de Larissa.
Ela tentou puxar um diálogo, mas não obteve sucesso, ficaram quase 10 minutos se encarando_nessa altura, Larissa já imaginava que Felipe havia utilizado alguma droga_ Finalmente ele voltou a falar, apenas uma palavra.
_Venha.
Larissa hesitou, e pensou em chamar a polícia antes de sair do apartamento, mas a nova devoção ao seu amante, não permitia que ela tomasse essa atitude, após longos e intermináveis segundos, pensando se deveria seguir seu marido, o amor falou mais alto, ela pegou a bolsa e foi atras dele. Desceram o elevador entraram no carro e saíram em total silêncio, pegaram a rota do sol e foram em direção as praias do litoral sul do Rio Grande do Norte.
O interminável silêncio continuava no carro, Larissa conseguia ver as veias no pescoço de Felipe e o suor escorrendo em sua testa, tentou puxar conversa, mas só foi respondida com o silêncio.
Na altura da praia de Cotovelo saíram da rota do sol e começaram a beirar a praia, o medo crescia dentro de Larissa, e essa altura já estava colocando o celular no modo de emergência, quando o carro parou com uma freada brusca e finalmente Felipe volta a falar com ela.
_ Tenho uma surpresa que vai mudar a sua vida, ou melhor, a nossa vida.
_ Felipe, você está me assustando, conta logo por favor.
_ Abre o porta luva, aperta o botão no controle e observa_ Um grande portão automático começou a abrir_ Essa vai ser a sua nova casa durante os próximos tempos.
Todo o medo que Larissa estava sentindo simplesmente deixaram o seu corpo, sendo trocados por uma felicidade esplendida, a casa era linda por fora, tinha uma piscina, um deck de madeira iluminado com Led, uma bela churrasqueira artesanal emendada com um forno a lenha para pizza, uma grande cozinha externa e alguns equipamentos de ginástica de ferro externo, fora a incrível vista para o mar.
O sonho estava de volta...
Ao entrar na casa, tudo era perfeito, móveis de madeira colonial, uma decoração extremamente sofisticada com diversas janelas todas com vidros para o lado de fora, Larissa parecia uma criança feliz, abria porta a porta pulando vendo cada um dos cômodos da mansão e se maravilhando com a beleza, as 6 primeiras portas, alternavam entre salas de leitura, quartos, sauna e biblioteca, a sétima porta, Larissa abriu, porém estava totalmente escura, tentou o interruptor mas sem sucesso, Felipe chegou próximo e pediu para ela entrar, disse que ela encontraria a luz no fundo da sala, Larissa entrou com o sentimento de surpresa, sentia que ali deveria ser o seu quarto, a sua suíte master.
Quando acendeu a luz, não estava equivocada, sem duvidas era um quarto maravilhoso, com uma linda cama e uma jacúzi no meio, tudo perfeitamente decorado, a única surpresa desagradável, foi ver dois ratos gigantes correndo em sua direção, não eram ratos qualquer, o tamanho deles beirava ao tamanho de um cachorro, a primeira reação, foi gritar, porém não teve tempo do som sair de sua boca, assim que abriu ela, um pano encharcado entrou nela e essa foi a ultima lembrança que Larissa teve.

O Final

A sensação era estranha, tudo parecia estar rodando, mas ao mesmo tempo parecia estar tudo no seu devido lugar, Larissa conseguia sentir seu corpo, aos poucos começou a conseguir movimentar o braço e também as pernas, já conseguia sentir seu próprio corpo, o local estava frio, porém suportável, o chão era duro, e pelo pouco tato que ela conseguia ter, parecia ser feito por pisos de 30cms por 30cms, seus braços estavam soltos e as pernas também, nada estava prendendo ela, porém mesmo com o corpo livre Larissa continuava sentada no chão, seus olhos não conseguiam ver nada, passou a mão pelo rosto a procura de alguma venda ou algo que obstruísse sua visão, porém não adiantou em nada, permanecia na total escuridão, após quase 20 minutos nessa angustia, a voz de Felipe chamou por ela. Não conseguia identificar o lado que vinha, apenas conseguia escutar a voz dentro do local onde ela estava.
_Olá meu amor, me desculpa ter que ser dessa forma, mas foi o único jeito que encontrei de te fazer enxergar o mundo, queria ter aproveitado o quarto antes, mas os Ratões do Banhado quiseram te fazer uma visita.
_Fe...Felipe? onde você está, por que não consigo ver nada?
_ Calma meu amor, seus olhos estão no devido lugar, e você logo poderá enxergar... Pensei muito em como fazer isso, mas não consegui chegar em um consenso, então decidi que você deveria escolher_ um breve silêncio dentro do quarto_ Você prefere ver com seus próprios olhos, depois uma explicação, ou você prefere que eu tente explicar, para depois você ver?
O desespero da escuridão já tomava conta de Larissa, a resposta foi automática.
_ Quero ver logo Felipe, o que quer que seja... Quero ver agora.
_Ok meu amor, seu desejo, é uma ordem, por favor se levante... agora caminhe reto... um pouco para esquerda... isso, caminhe reto com os braços para frente... Quando sentir o vidro, pare.... Perfeito.
Uma luz branca acendeu cegando Larissa, durante quase um minuto ela não conseguia abrir o olho, tamanha a claridade, quando finalmente consegui ver, foi a pior imagem de sua vida, havia pelo menos 200 ratos correndo na sua frente, por mais que tentasse, não conseguiu conter o grito e o desespero, saiu correndo para o lado oposto dos ratos, até subir em uma pequena cama do outro lado da sala. Conseguia escutar a voz de Felipe ao fundo, porém não conseguia identificar uma única palavra, só conseguia pensar em todos aqueles ratos, correndo em sua direção. Quando finalmente tomou coragem e abriu os olhos, viu que os ratos continuavam correndo de um lado para o outro, porém estava em outra sala, começou a observar a volta e percebeu que estava em uma espécie de interrogatório, conseguia ver todos os ratos com clareza, porém estava separada deles por um vidro, a sala onde ela se encontrava não era maior que 3x3m, havia apenas uma privada e a cama que ela havia subido, tudo extremamente branco, do outro lado do vidro, conseguia observar infinitos ratos em uma sala um pouco maior, deveria ter 9X3, porém mesmo sendo bem maior, o chão estava totalmente tomado pelos ratos.
Quando finalmente conseguiu se acalmar um pouco, voltou a escutar as palavras de Felipe.
_ O mundo é engraçado não é Larissa, nos consideramos seres superiores, os únicos animais racionais, aqueles que dominam o mundo, porém continuamos sendo os mais ridículos e asquerosos do planeta.
_ Não mais asquerosos que esses ratos, por favor amor, me deixa sair daqui.
_ Quando estiver pronta, você vai sair... Mas continuando... antes de ser rudemente interrompido, nos consideramos os melhores do planeta, mas não conseguimos viver em sociedade, o tempo todo queremos aquilo que não temos e destruímos nossos irmãos de sangue, sem consciência alguma, eu também era assim, exatamente igual a todos, até que um dia encontrei a salvação da minha vida, um rei_ os ratos continuavam a andar de um lado para o outro desesperados_Talvez você nunca tenha ouvido falar nessa criatura, o rei dos ratos, mas é a criatura mais fantástica do mundo, existe uma mutação rara que pode ocorrer com os ratos, os rabos ficam presos entre eles, acabam calcificando um rato ao outro pelo rabo, quando essa mutação ocorre, o nome dado para esse novo animal é Rei dos Ratos, mesmo eles estando presos uns aos outros, eles continuam vivos.
Quando eu encontrei a primeira vez, tive a mesma reação que você, nojo extremo e desgosto por estar olhando uma criatura tão asquerosa, porém depois de alguns minutos olhando e fotografando, comecei a ver a beleza neles, observe_ Os ratos continuavam correndo de um lado para o outro dentro da sala vizinha, e agora Larissa conseguia ver com clareza, 7 ratos presos entre sim através do rabo_ Você já imaginou alguma vez 7 homens presos entre si conseguirem sobreviver? Jamais... Cada um tentaria se salvar ou mataria os outros para tentar se soltar, mas esses ratos não, todos eles se alimentam e convivem entre si, a relação deles é muito mais desenvolvida do que a nossa, nós humanos nos destruímos por nada, eles, desde que tenham alimento, jamais se matam, convivem entre si, de forma pacífica.

Larissa sentia o corpo tremer, tentava se controlar, sentia um enjoo olhando para aquelas criaturas, sentia desespero por estar trancada naquela sala e ao mesmo tempo se beliscava, acreditava que tudo aquilo não passava de um sonho ruim, que leva tempo para acordar, porém que quando levantasse, estaria em seu apartamento com vista para o mar e Felipe servindo torradas com Nutella de café da manhã... infelizmente...os piores sonhos, nunca terminam.

 _Observe eles se alimentando, todos comem, eles não brigam para comer, todos encontram os seus espaços no corpo e se alimentam_ Um corpo de mulher caiu dentro da sala, era loira, deveria ter 1.70 e longos cabelos dourados. No primeiro instante, Larissa gritou em desespero, por ver o corpo cair no chão, e os ratos correrem na direção dele, no segundo instante, a loira gritou, ainda viva, ela gritava enquanto os ratos dilaceravam a carne dela. Dessa vez, Larissa não conteve a ânsia, e vomitou por toda a sala_ Da primeira vez é difícil de ver meu amor, mas logo você vai entender, garanto que vai... Essa imunda era uma mesquinha, só pensava em festas e esnobava os mais fracos, depois de uma noite de bebedeira, presenciei ela jogando uma garrafa de bebida em um mendigo que dormia na sarjeta, estou apenas dando a ela, o  que ela merece.
Durante 3 longos meses, Larissa continuou presa naquela sala, toda semana um novo corpo era jogado para os ratos, uma vez um cafetão, outra prostitutas, outras vezes turistas que estavam bêbados e bagunçando a cidade, cada vez que jogava um corpo Felipe tinha uma explicação(racional ou não), os dias eram cansativos e solitários, a única companhia que Larissa tinha era dos ratos do outro lado do vidro, de noite conversava com Felipe, e recebia uma refeição. No começo tentava não responder o Felipe, não comer a comida, gritar para que alguém viesse socorrer ela, ou qualquer coisa do tipo, porém tudo era inútil, ela continuava presa, depois de um tempo, começou a responder as perguntas e até se familiarizar com os ratos, sua única companhia durante os dias, por mais que odiasse pensar dessa forma, aguardava ansiosamente a chegada dos corpos que seriam mutilados pelos ratos,  começou a sentir prazer em ver eles devorando os pecadores, no começo acreditava ter cerca de 200 ratos na sala, hoje tinha certeza de ter mais de 800, e o número continuava aumentando. Os longos momentos de solidão ajudavam a refletir sobre sua vida, realmente havia conhecido pouquíssimas pessoas boas, praticamente todos que se aproximavam dela, queriam algo em troca, e não tinham nenhum pudor em lhe prejudicar, agora observava os ratos, e realmente, a população aumentava e eles continuavam vivendo em paz, todos conseguiam participar dos banquetes, todos conseguiam viver juntos.

Mais 3 meses se passaram nessa situação, Larissa já estava vibrando tanto quanto Felipe, cada vez que um novo corpo era jogado para os ratos.

_Amor, acho que você já está pronta e eu já estou pronto.

_ Prontos para que meu querido?

_ Para o Gran Finalle, sinto falta de fazer amor contigo, e sinto que meus ratos já estão prontos.

_ Então venha, faça amor comigo, sinto falta de te ter.

_ Sim, já vou... apenas preciso liberar nossos amigos... Já temos mais de 1000 ratos nessa sala, todos extremamente habituados a comerem somente carne humana... é interessante, como uma vez que você acostuma um rato a comer algo, ele pega gosto por aquilo, e começa a correr atras somente daquele alimento_ Uma porta abriu na sala dos ratos e todos começaram a correr naquela direção, deixando a sala totalmente vazia_ Vamos meu amor, temos que dirigir um caminhão até o centro, hora de soltar nossos amiguinhos.

Uma porta abriu na sala e Larissa seguiu por ela, era estranho ver a luz da lua depois de tanto tempo, mas sua maior preocupação não era o luar e sim, dar prazer para Felipe e ver os ratos fazerem aquilo que foram treinados. Entraram na cabine do caminhão, Larissa conseguia ver que era totalmente revestida, sem dúvida, Felipe não queria ser comido vivo.
Dirigiram até o centro da cidade em um total silencio, Larissa tentava se controlar, mas sentia mais tesão do que havia sentido em toda a sua vida, quando chegaram ao lado do Estádio Arena das Dunas, era possível escutar um alto som, deveria estar ocorrendo um show ou algo parecido, pois as ruas estavam lotadas de pessoas, e a parte interior do estádio iluminada, estacionaram o caminhão em um local com uma boa visão para a belíssima construção e Felipe abriu as portas para os ratos saírem.


A noite foi longa e maravilhosa, nada poderia ter sido mais perfeito, Fizeram amor, como nunca haviam feito, sentiram um prazer mútuo enquanto se entregavam de corpo e alma, um para o outro e escutavam o som do estádio ser substituído pelos gritos de dor e pânico dos pecadores, enquanto os ratos se banqueteavam, foi a melhor noite de amor da vida deles...

Nenhum comentário:

Postar um comentário